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Estudo combate prejuízos causados por bactérias

Conscientizar o pequeno produtor para que ele compre sementes certificadas, com origem conhecida e qualidade comprovada, está entre as metas do trabalho desenvolvido por José Ricardo Pfeifer Silveira, coordenador da Divisão de Pesquisa da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Há oito anos, ele realiza estudos fitopatológicos de bactérias em hortaliças, responsáveis pela doença popularmente conhecida como murcha bacteriana, que ataca principalmente as lavouras de batata, tomate, pimentão, berinjela e outras plantações da família de solanáceas.

"Não adianta dar o diagnóstico depois que a bactéria já está impregnada na lavoura. Para o pequeno produtor, isso pode representar uma perda muito grande, afinal uma vez estabelecida, a murcha bacteriana contamina o solo, impedindo, por longos anos, o cultivo de hortaliças naquele local", explica, lembrando que em geral a batata e o tomate são cultivados em propriedades de porte pequeno.

De origem andina, o micro-organismo que causa a murcha bacteriana é chamado de Ralstonia Solanacearum. É danoso ao solo, temido por sua reconhecida variabilidade genética e pela sobrevivência dos patógenos no terreno. "Depois que a bactéria entra na lavoura, compromete todo o solo, e não se consegue mais retirar", alerta o coordenador da Fepagro. Esta bactéria penetra e preenche os vasos onde a planta recebe a água. Em seguida a plantação murcha e morre. A Ralstonia se dissemina rapidamente, principalmente pela água. "Depois de 20 anos, se o produtor tentar plantar alguma hortaliça em terreno contaminado, a Ralstonia continuará lá", completa.

Por esta razão, o trabalho realizado pelo pesquisador representa a garantia de sucesso nas lavouras de pequenos agricultores. "A única alternativa que se tem, quando um solo é contaminado pela Ralstonia, é trocar o cultivo por outra planta, desde que não seja hortaliça", ensina, destacando que isso não só limita a atividade das pequenas propriedades rurais, como pode vir a ser um problema para quem não tiver solo fértil para desenvolver outras culturas.

Após ir a campo, realizar análises, e diagnosticar as diferentes raças de Ralstonia (que no Rio Grande do Sul atua em sua versão mais agressiva), Silveira escreve artigos em que ressalta a importância de medidas simples para evitar a contaminação pela praga. "Ter sementes sadias, trabalhar com tratores limpos, fazer limpeza adequadas do solo", cita.

"Relacionamos a doença com a resistência dos cultivados aqui e associamos sua atuação em nosso meio ambiente. É um trabalho que nunca termina", diz Silveira, que atuou como membro do Comitê Assessor de Ciência Agrárias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) nos quatro anos anteriores ao seu ingresso na Fepagro. "Aqui temos uma das espécies mais problemáticas, porque têm maior capacidade de fazer infecção latente. Ela aparece no tubérculo, não mostra os sintomas e, quando você vai plantar na safra seguinte, ela aparece. Na outra geração, se as condições ambientais forem favoráveis (se fizer calor) ela aparece, caso contrário, fica incubada", relata.

Para esclarecer de forma coloquial, a informação proveniente do Laboratório de Fitopatologia da Fepagro chega aos produtores rurais através de pesquisas de campo e palestras em sindicatos, cooperativas e também na Expointer, onde fica exposto para o público. A linguagem é simples e são entregues boletins técnicos e fôlderes.

Investimento em pesquisa ajuda a desenvolver agronegócio gaúcho

Há pouco tempo, o Laboratório de Fitopatologia da Fepagro era dividido pelo pesquisador José Ricardo Pfeifer Silveira com outros três profissionais da área. Hoje, ele trabalha apenas com outra bióloga, e precisou estancar, até o final do ano, seus estudos sobre doenças que atacam plantas. Atualmente, Silveira está debruçado sobre análises na área de agroenergia e bioenergia. Em trabalho recente, avaliou a caracterização genética molecular na área de hortaliças. "Apesar da importância, os estudos em fitopatologia estão parados, mas pretendemos retomar os projetos até o final deste ano", garante, comemorando o anúncio, feito recentemente pelo governo do Estado, de que serão agregados mais 63 pesquisadores à Fepagro. "Esperamos conseguir dois destes profissionais para atuar no laboratório", revela.

Silveira diz que o Estado investe um bom percentual em pesquisa, mas que ainda é preciso buscar recursos para os projetos fora da entidade. "Infelizmente, o Brasil é um País que investe muito pouco em pesquisa, somente 0,5% do PIB.


Fonte: Jornal do Comércio

 

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