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Artigo: Planejamento é essencial para uma lavoura saudável

Por Alexandre D. Roese*

O agricultor chega ao laboratório trazendo algumas plantas meio murchas, mal desenvolvidas, em busca de uma resposta para a pergunta: que doença é essa na minha lavoura? E em busca de uma solução: o que posso fazer pra resolver esse problema? Subitamente o agricultor é rodeado por pesquisador, técnico, estagiário e quem mais estiver por perto, e então começa o interrogatório: Que cultivar é essa? Quando semeou? O sintoma é em manchas ou generalizado? E por aí vai. Muitas vezes a resposta à primeira pergunta é: as plantas não estão doentes. Pelo menos não como num caso clássico de um patógeno causando doença numa planta. Frequentemente, os diagnósticos de enfermidades em plantas realizados pelos laboratórios são de má nutrição, sistema radicular mal desenvolvido, distúrbios fisiológicos causados por calor ou fotoperíodo inadequado para as plantas, diversas espécies de fungos de solo atacando a planta ao mesmo tempo, doenças na parte aérea mesmo após várias aplicações de fungicidas, etc. 

Situações complexas como essas exigem soluções complexas. Quando a planta apresenta doenças integradas é necessário pensar em manejo integrado de doenças, ou melhor: manejo integrado da lavoura. O controle das doenças na lavoura deve começar muito antes da semeadura, deve começar pelo planejamento da lavoura de um modo geral.

Diversas ações são importantes para prevenir ou facilitar o controle de doenças. Uma delas é a rotação de culturas, uma das premissas do Sistema Plantio Direto (SPD), e que tem um grande efeito na manutenção ou diminuição do inóculo de doenças no solo e nos restos de cultura, dependendo de como é realizada. Além disso, a rotação de culturas é importante para a estruturação do solo, disponibilização de nutrientes e formação de palha, que contribuem para o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, para sua capacidade de resistir a doenças. Outro ponto é a escolha do cultivar recomendado para a região e para a época de semeadura. Além disso, deve-se, sempre que possível, escolher cultivares com resistência ou tolerância às principais doenças que normalmente ocorrem na lavoura. Por isso, é importante que o agricultor faça um histórico de cada área de cultivo, anotando os problemas que ocorrem em cada safra e procurando relacioná-los com cultivar, clima, cultura anterior, etc.

O preparo do solo e a adubação também devem ser observados. Solos compactados, mal drenados ou com baixa disponibilidade ou desequilíbrio no balanço de nutrientes tendem a facilitar o desenvolvimento de doenças, principalmente doenças do sistema radicular, cujos agentes causais, muitas vezes, permanecem no solo por vários anos.

Outros requisitos a serem observados são: origem e tratamento das sementes: sementes fiscalizadas e devidamente tratadas com fungicidas (além do tratamento com inoculantes e inseticidas) contribuem imensamente para o sucesso no estabelecimento de uma lavoura, além de evitar a introdução de doenças e pragas que ainda não ocorrem na lavoura ou na região; população de plantas e espaçamento: lavouras muito adensadas, frequentemente, favorecem o desenvolvimento de doenças, por criar um microclima úmido e sombreado, o que favorece o desenvolvimento de microrganismos. Tomemos, como exemplo, a ferrugem da soja: o molhamento foliar é um requisito para a infecção, enquanto que os raios solares matam os esporos, diminuindo consideravelmente a quantidade de doença. Existem várias outras doenças onde o ajuste do espaçamento entre linhas e da população de plantas contribui para a redução da doença.

Apesar de não podermos fazer muito para alterar as condições climáticas a curto prazo, podemos nos manter atentos para as condições climáticas e previsões de clima para a safra, a fim de tomarmos as decisões mais acertadas com relação a aplicação de fungicidas. E, para se ter sucesso no controle químico das doenças, é necessário um constante monitoramento da lavoura: nós devemos efetivamente procurar as doenças na lavoura, e não esperar que elas nos procurem. Uma atitude proativa de monitoramento da lavoura contribui em muito para o sucesso das intervenções para controle de doenças. Quanto a aplicação de fungicidas, é importante manter-se atualizado sobre os resultados de pesquisas e seguir corretamente as recomendações técnicas para a aplicação de fungicidas, como a dose a ser aplicada, os cuidados durante a aplicação (temperatura, umidade do ar, velocidade do vento), a regulagem dos equipamentos (tipo de ponta de pulverização, tamanho de gota, uniformidade de distribuição, etc.) e treinamento de operadores.

Quando essas informações fazem parte do planejamento da lavoura, as chances de sucesso são bem maiores, porque os problemas serão mais facilmente solucionados.

*Alexandre D. Roese é Engenheiro agrônomo, MSc. Fitopatologista. Analista de suporte à pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste. Dourados, MS.


Fonte: Grupo Cultivar

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