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Horticultura terapêutica ajuda deficientes
Por Guilherme Russo

Responsável por um trabalho pioneiro no Grande ABC, a Avape (Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência) trata deficientes mentais leves e moderados através da horticultura terapêutica.

Atualmente, a terceira turma inicia o tratamento, destinado a melhorar o relacionamento dos pacientes com suas famílias e com os especialistas com quem convivem na instituição.

Os responsáveis pelos deficientes, principalmente mães, participam das oficinas de interação. As hortas de alface, rúcula, hortelã, salsinha, abobrinha, rabanete, pepino, cebolinha e canteiros de flores são cultivados em uma estufa nos fundos da unidade da Avape do Riacho Grande, em São Bernardo.

As turmas são compostas por oito deficientes que, junto com os responsáveis, plantam e acompanham o crescimento das hortaliças. A atenção dos pacientes é trabalhada com a manipulação das pequenas sementes. A agressividade e o respeito mútuo, com a convivência com os colegas assistidos pela entidade. E o relacionamento familiar é beneficiado por conta da presença dos pais em todas as fases do programa, que é realizado em 12 encontros.

A horticultura terapêutica trabalha ainda a autoestima dos pacientes, que se confrontam com sua capacidade de realizar ações sem a ajuda dos pais. No fim dos programas, todos os participantes se juntam em uma grande mesa, no refeitório da unidade, para comer o produto de sua colheita. E os deficientes fazem os pratos dos responsáveis, o que não costuma acontecer em suas casas, e chegam até a dar comida na boca deles.

Gerente da Avape do Riacho Grande, Simone Senna explica que essa inversão de papéis ajuda no amor-próprio dos pacientes, que se dão conta de que podem fazer sozinhos muito mais do que já haviam realizado anteriormente em suas casas. "Demonstramos que a equipe e a família acreditam no potencial deles."

"Utilizamos a jardinagem como ferramenta de trabalho, para aproximar a família e nossa equipe dos assistidos. São muito significativas as mudanças, muito positivas", conta a assistente social Cristina Brandão, coordenadora da terapia na Avape.

Programa diminui timidez dos participantes

Uma das principais mudanças que as famílias e os deficientes mentais sentem depois que passam pelo tratamento com horticultura é a diminuição na timidez dos pacientes. É o caso de Rodolfo Carlos de Araújo, 17 anos, que perdeu o acanhamento e a cara fechada depois que realizou o programa com a mãe, a dona de casa Maria Eunice de Araújo, 47.

"Ele era muito tímido", contou Maria Eunice. "Agora eu não sou mais", retrucou na hora Rodolfo, exibindo o sorriso que descobriu depois do novo tratamento, que melhorou sua relação com as pessoas, segundo contou a mãe coruja. "A cada dia ele me surpreende", afirmou, destacando que a melhora no filho continuou depois que o tratamento acabou.

A dona de casa Maria do Carmo Gomes, 49, contou que o programa "foi muito bom" para sua filha, Patrícia Gomes, 21, "melhorar o contato com pessoas que ela não conhecia bem". Patrícia troca a cara de brava pelo semblante sorridente quando está em meio à turma da horticultura da Avape. "Foi bom mexer na terra. Gostei de plantar alface. Agora converso mais com as pessoas", afirmou a garota.

Mãe de Kelly Cardeal Santana, 30, a dona de casa Olívia Maria da Silva, 60, contou que a concentração da filha melhorou. "Ela ficou mais amável, mais calma." E Olívia disse que os benefícios foram além: "Ela nunca tinha comido alface antes (da terapia). Agora, come tudo que é folha", declarou a mãe satisfeita. "A gente tem muito retorno."

O programa realiza ainda passeios ao Jardim Botânico, na Capital, e ensina os deficientes a fazer vasos, em oficinas de artesanato.

Excepcionais trabalham em viveiro de plantas da Ecovias

Quando o assunto é cultivo de vegetais, os deficientes mentais não deixam a dever a funcionários saudáveis. Desde outubro de 2008 cinco excepcionais tocam o viveiro de mudas da Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes. O viveiro fornece plantas que são transportadas para os canteiros das estradas que ligam a Capital ao Litoral Sul do Estado.

Em novembro, 35 mil mudas de sansão do campo foram plantadas para funcionar como cerca viva no canteiro central da Rodovia dos Imigrantes, entre os quilômetros 11 e 35.

José Roberto Alves, 36 anos, tem deficiência mental e conseguiu seu primeiro emprego há pouco mais de um ano no viveiro de mudas da Ecovias. Funcionário assíduo, não chega atrasado, não falta, tem bom relacionamento com os colegas, excepcionais ou não, trabalha duro e sempre exibe um sorriso no rosto.

O deficiente trabalha junto com Alexandre Bertoldo de Carvalho, 23, Aline Pereira de Almeida da Silva, 22, Cristina Nogueira do Prado, 24, e Elaine Santos Mendes, 23. Todos são excepcionais.

Coordenador do grupo, Antônio Marcos Alexandre, 39, foi escolhido pela empresa por ter temperamento calmo e possuir didática para explicar o que deve ser feito durante o trabalho. "É muito gratificante. Eles aprendem comigo, e eu aprendo demais com eles", disse.

Fonte: Diário do Grande ABC
 
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