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Agronegócio aposta no mercado interno para sair da crise

Com a menor demanda externa, sobraram produtos a preços mais baixos para o consumidor no Brasil

Por Mariane De Luca

Apesar do perfil exportador, o agronegócio brasileiro vem redescobrindo o mercado interno. Com a menor demanda lá fora, depois da crise mundial, sobraram produtos a preços mais baixos para o consumidor no Brasil. O aumento no poder aquisitivo também ajudou. Na opinião de analistas, este foi o segredo para manter o faturamento em setores como carne bovina e frutas.

— O principal mercado para a carne bovina brasileira é o Brasil — diz o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Otávio Cançado.

Até 2008, 75% da produção era vendida internamente. Porém, no ano passado, este percentual aumentou para cerca de 79%. Os números ainda não estão fechados, mas já revelam que o consumidor brasileiro ajudou a evitar uma crise ainda maior no setor da carne bovina.

A queda das vendas externas chegou a 20% em receita e 14% em volume. A maior parte da carne que não foi embarcada ficou no Brasil. A oferta aumentou, e o preço baixou. Como também houve aumento na renda dos brasileiros, o resultado foi um consumo maior de carne. De acordo com levantamento da AgraFNP, o brasileiro comeu 33 quilos de carne em 2009, 10% a mais que em 2008.

Esta maior participação do mercado interno também ocorreu em outros setores do agronegócio. A maior central de abastecimento da América Latina, a Ceagesp, em São Paulo, bateu em 2009 o recorde de vendas dos últimos 21 anos, puxado principalmente pelas frutas. Em todas as unidades da Ceagesp, a receita com as vendas foi 12% maior que em 2008.

Um dos motivos do bom resultado é parecido com o que ocorreu na carne bovina. Contratos de exportação de frutas, como a manga e o melão, foram cancelados. Com a crise, a demanda externa foi menor, e a produção acabou sendo destinada – e consumida – no Brasil. Para o economista da Ceagesp Flávio Godas, houve ainda um outro fator que ajudou a ampliar o volume financeiro na central em 2009.

— O dólar baixo favoreceu as importações, que aumentaram 18% na Ceagesp. Como esses produtos normalmente são mais caros, contribuiu para aumentar o volume financeiro deles — explica Godas.

O atacadista Eduardo Benassi é o exemplo de quem ganhou com o dólar mais baixo. A empresa dele, uma das maiores da central, vende em média 100 mil toneladas de frutas por ano. Em 2009, o resultado foi melhor.

— Vendemos 10% a mais. O dólar baixo foi um dos fatores que facilitou a venda de produtos importados, além do aumento do consumo da população — diz Benassi.

Os bons resultados devem continuar este ano. Expectativa de quem acompanha o mercado é de que o consumo interno vai se manter forte em 2010. A explicação para isso está em fatores como crescimento do PIB, aumento da renda e, com isso, mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros. Além disso, há quem diga que, enxergando isso, muitos empresários estão mudando de estratégia.

Fonte: Canal Rural 
 
 

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