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Workshop realizado pela Abcsem promove integração do setor em torno da tecnologia

Membros da cadeia produtiva de hortaliças, flores e ornamentais se reuniram para atualizar seus conhecimentos na área e debater estratégias para o crescimento do setor, principalmente a adoção de tecnologia nos processos produtivos

Buscando atender a uma demanda levantada por seus associados, a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem) promoveu, no dia 20 de outubro, o Workshop: "Aplicação da Tecnologia da Semente à Muda", voltado aos segmentos de hortaliças, flores e ornamentais. O evento, que aconteceu em Jaguariúna/SP, teve como objetivo divulgar informações atualizadas sobre o uso da tecnologia pelas empresas de sementes e afins (beneficiamento e peletização, laboratórios de análises, produtores de insumos, etc.) e sua aplicação prática pelos consumidores (viveiristas e produtores). Estiveram presentes, viveiristas, representantes do setor sementeiro, do segmento de insumos, profissionais de análises laboratoriais, de consultorias e de empresas de tecnologia, pesquisadores e estudantes da área, entre outros. Uma importante bandeira defendida pela Abcsem, o uso de tecnologias disponíveis no setor agrega maior qualidade na produção e proporciona mais competitividade no mercado. Confira abaixo um breve resumo dos temas discutidos.

Palestra 1
 

A primeira palestra “Potencializando a herança genética: técnicas de análises para controlar as principais qualidades das sementes e mudas”, ministrada por Edwing Holman da Dessa Consult, destacou que os 10% da vida inicial de uma planta é essencial para definir a qualidade dela, fase que exige grande dedicação, cuidados e responsabilidades com a muda. De acordo com Holman, “hoje, infelizmente, ainda é pouco reconhecida a importância dos primeiros 10% do tempo de vida da planta, que é o período em que são definidas as suas características, depois disto o produtor não poderá mais intervir, pois se no início não vai bem, a planta apresentará problemas por toda a sua vida”, afirmou. Isto acontece porque, neste período de vida, a planta armazena todas as condições de estresse em que foi submetida e repassa estas informações às próximas gerações, que inevitavelmente reagirão como se estivem passando pelas mesmas condições de estresse. E a memória apenas será limpa após três ou quatro gerações.

Outro fator importante mencionado por ele foi que o sucesso de produção depende da capacidade da planta de sequestrar carbono. “O sequestro de carbono é o que sobra do processo e a captura de carbono ocorre durante a fotossíntese. Quanto mais carbono, maior será a reserva, o vigor e a segurança de não haver aborto das flores ou frutos", explicou. Por isso, é preciso estar atento aos mecanismos de estresse, especialmente referente ao clima e à nutrição. Neste sentido, as análises químicas permitem um maior acompanhamento da dinâmica das plantas.


Palestra 2

“A importância fitossanitária do material de propagação nos modernos sistemas de produção” foi o tema abordado por Valmir Duarte, consultor e Patrícia de Souza Teló, gerente de Qualidade do Laboratório Agronômica. “Atualmente, a ênfase do mercado não está mais no produtor, mas sim no consumidor, que está cada vez mais preocupado em saber que tipo de produto está consumindo. E a certificação permite este controle e registro, como por exemplo, no caso dos orgânicos. Portanto, cabe ao mercado estabelecer e pagar os valores necessários pelos produtos que tenham certificação”, argumentou Valmir Duarte. Segundo ele, os modernos sistemas de produção permitem a produção de alimentos de alta qualidade ao mesmo tempo em que garantem a sustentabilidade por meio do controle do uso de agrotóxicos e de resíduos e por promoveram a manutenção ambiental. “Assim, o moderno sistema de produção tem que passar, necessariamente, pela sustentabilidade e pelo manejo integrado”, complementou.

A busca por produtos de qualidade quer sejam ornamentais, flores ou hortaliças, passa necessariamente por uma escolha criteriosa e consciente de sementes de qualidade. E “é preocupante ver que hoje ainda há muitos produtores fazendo opções incoerentes ao adquirirem sementes de baixa qualidade, devido às questões econômicas e/ou pela falta de disponibilidade da semente, o que acarreta problemas muito sérios no campo. Para que haja sustentabilidade é preciso fazer a escolha correta que começa pela escolha de uma boa semente”, reforça Patrícia Teló. Valmir enfatizou ainda que é importante garantir a qualidade sanitária da semente, por meio de alguns métodos, tais como: exclusão, erradicação, proteção, imunização e terapia.


Palestra 3

Na terceira palestra sobre a caracterização e produção de substratos, Miguel Iannone Júnior, engenheiro agrônomo da Amafibra, falou de modo especial da fibra de coco, um substrato agrícola destinado à produção de plantas e mudas, que é 100% ecológico e que apresenta algumas características especiais, muito interessantes do ponto de vista técnico e que devem ser consideradas pelos produtores, tais como: baixa densidade, granulometria homogênea, estabilidade estrutural e alta capacidade de retenção de água e aeração. Ao mostrar fotos de mudas de alface cultivadas com substrato de fibra de coco, ele explicou que estas possuem um peso radicular 64% maior do que as que foram cultivadas em substrato de pinus e vermiculita. “As raízes crescem uniformemente, com mais pêlos absorventes e com a raiz bem aderente ao substrato, ou seja, ao chacoalhar o torrão da muda, solta pouco substrato”.

Vale lembrar que este substrato deve ser obtido apenas do coco seco, pois o coco verde ainda irá se decompor. E que “a quantidade de cascas de coco descartadas, no processo de extração de água para consumo, geraria um imenso passivo ambiental, mas que por ser totalmente aproveitada, garante a sustentabilidade do processo de produção e exploração do coco”, destacou. Miguel Iannone ainda orientou que é necessário que haja um equilíbrio no uso de diferentes substratos em qualquer cultivo, ponderando entre as diferentes características de cada um, com relação à porcentagem de água, solidez e porosidade.


Palestra 4
 

José Américo B. Turri Junior, sócio-proprietário da Mena e Costa Consultoria, palestrou sobre os cuidados e acompanhamento dos fatores-chave da produção, entre os quais se encontram a estrutura, nutrição adequada, qualidade das sementes, da água e do substrato, bem como o controle do ambiente por meio da temperatura, umidade e luminosidade. A concentração de CO² merece uma atenção especial, já que quanto maior for a presença de CO², maior será o crescimento das mudas. O controle de qualidade, que visa a padronização do produto de qualquer lote e em qualquer estação do ano, o bom manejo de pragas e doenças e o investimento em mão-de-obra qualificada, compõem os demais requisitos necessários para garantir qualidade e eficiência na produção.


Visita à Incotec

A Incotec Tecnologia de Sementes, empresa associada à Abcsem, abriu suas portas para receber os participantes do workshop, apresentando sua estrutura de pesquisa, análise laboratorial e os diferentes processos de beneficiamento que agregam tecnologia às sementes. Empresa originária da Holanda, a Incotec atua no Brasil há 10 anos e dispõe de tecnologias voltadas às sementes como: peletização, priming ou pré-germinação e filmcoating. Aplicadas em sementes de hortaliças, soja, milho, algodão, arroz, forrageiras, florestais e flores, estas tecnologias tem como objetivo melhorar a germinação, o vigor, a uniformidade, a quebra de dormências, além de assegurar a plantabilidade (aumento do tamanho da semente facilitando o manuseio e a semeadura de sementes tão pequenas e irregulares quanto às de alface).




Mesa-redonda
 

Com uma proposta mais informal e dinâmica, a mesa-redonda, realizada ao final do evento, contou com um debate entre todos os participantes, proporcionando uma discussão interessante entre os diferentes elos da cadeia produtiva, ali representados. Marcio Nascimento, consultor de Relacionamento Institucional da Abcsem, e Mariana Ceratti, coordenadora executiva da Associação, conduziram e intermediaram o debate.

Foram discutidas formas de divulgar e tornar mais acessíveis as tecnologias existentes tanto para sementes, quanto para mudas, para que o setor possa, de forma integrada, alcançar soluções em comum. Entre as principais questões abordadas, o não aproveitamento do melhoramento genético das sementes foi reconhecido como sendo um grande entrave na produção de ornamentais, flores e hortaliças. Pois, enquanto de um lado as empresas sementeiras não vêem os viveiristas desenvolvendo todo o potencial genético agregado às sementes, na produção de mudas; por outro lado, os viveiristas constatam uma defasagem de orientação por parte das indústrias sementeiras sobre como proceder para elevar ao máximo a capacidade produtiva da semente, já que estas, ao comercializarem as sementes, também comercializam todo o pacote tecnológico embutido nelas.

Constatou-se, sobretudo, que há uma carência tecnológica muito grande no campo, necessitando de maior atenção e participação das empresas sementeiras junto aos viveiristas e produtores em prol de um desenvolvimento da cadeia como um todo; enquanto que, com relação aos viveiristas, se faz necessária maior conscientização da importância da tecnologia e do diferencial que seu uso poderá agregar à produção. Outra questão comentada foi que os viveiristas, quando fazem uso da tecnologia, ainda não se preocupam em repassar os custos de comercialização de um produto com valor agregado ao mercado, já que entendem que o produtor, que adquire as mudas, não tem interesse no uso desta tecnologia, por não ter conhecimento de sua importância e benefícios ao produto final. Em suma, o setor necessita de maior difusão de informações sobre os usos e benefícios da tecnologia, além de união e profissionalismo.

De acordo com José Robson Coringa, presidente da Câmara Setorial Federal de Hortaliças e presidente do Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp), “o trabalho que a Abcsem desenvolve é extremamente importante, pois a demanda tem que sair dela, que organiza e representa o setor, já que na Câmara o processo é mais burocrático. Embora ainda não tenha o seu devido valor reconhecido, considero o segmento de hortaliças essencial, pois além de produzir alimentos para a população, gera muito mais emprego do que a própria indústria. Mas, infelizmente, como nosso segmento é fragmentado, é difícil reunir tais números. Por isto, temos que levantar dados em comum para apresentar nossas necessidades e importância para o Ministério da Agricultura”.  Neste sentido, Mariana complementou dizendo que o setor precisa ser menos reativo e mais pró-ativo, pois a Câmara só consegue defender temas indicados pelo setor. “E, por isso, eventos como este são essenciais para levantarmos os principais entraves e discutirmos soluções em comum para o setor e para a cadeia”, enfatizou. 

A alta taxação de impostos dos plásticos especiais para a agricultura, cujo consumo tem ampliado vertiginosamente, e insumos e matérias-primas importados destinados às análises laboratoriais e ao desenvolvimento de novas tecnologias na área, também foram outros temas levantados na discussão. Já Warley Nascimento, chefe-adjunto de Comunicação e Negócios da Embrapa Hortaliças, comentou que a Embrapa Hortaliças está disposta a estabelecer novas parcerias para atender às demandas do mercado, bem como todos os demais segmentos da Embrapa. Lembrou também que recentemente foi inaugurada a unidade Embrapa Quarentena, com o objetivo de atender melhor às necessidades do setor e do mercado. Nascimento destacou ainda que há novos pólos de produção de hortaliças que estão surgindo e crescendo no Brasil. E que cabe à Abcsem e ao setor como um todo, expandir seu foco, que atualmente concentra-se no eixo RJ/SP/MG, que detém 60% da produção de hortaliças, para outras regiões do Brasil, que inclusive estão se dedicando à exportação, como é o caso da Amafibra, situada no Pará, que exporta fibra de coco, como substrato agrícola. 

A ABCSEM agradece os participantes de mais esse evento de sucesso, bem como seus patrocinadores, sem os quais não seria possível sua realização: Amafibra, Agristar, Clause, Feltrin, Incotec, Laboratório Agronômica, Sakata, Seminis De Ruiters eTakii.


DEPOIMENTOS DOS PARTICIPANTES
 

Esta é uma iniciativa bastante importante, porque sempre funciona como um complemento em algumas atividades correlacionadas ao tema. A apresentação e o conteúdo programático foram bem interessantes. E a expectativa que se tem deste tipo de evento, é que se consiga agregar mais em termos práticos, além de fazer novos contatos com demais profissionais da área, o que é bastante importante também.

Robert Wierzbicki – coordenador da área de Suporte de Qualidade e Produção da Sakata


Eu particularmente adorei as apresentações e as palestras. Aprendi muita coisa que eu ainda não tinha conhecimento. Eu trabalho no laboratório na parte de análise de sementes e aqui pude ver e ouvir as outras partes envolvidas no processo também, dando uma visão mais global e isto é muito interessante. Gostei muito. Foi maravilhoso.

Lovani Pereira da Silva – coordenadora do Laboratório da Feltrin


Sem dúvida este evento é uma forma de promover maior integração, contatos e de rever o pessoal que trabalha na área. E esta interação é muito importante, pois estamos falando de um segmento que envolve o setor sementeiro, o desenvolvimento de cultivares, produção de mudas, parte de tecnologia de sementes e esta interação é muito interessante. Enfim, o evento possibilitou a reunião de profissionais de diferentes segmentos dentro da cadeia produtiva de hortaliças e flores. E, para nós que trabalhamos diretamente na área, não deixa de ser uma forma de reciclagem bastante oportuna e importante.

Warley Marcos Nascimento – chefe-adjunto de Comunicação e Negócios da Embrapa Hortaliças

 

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