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Sementes piratas: produtor sai perdendo

Sejam falsificadas ou salvas, sementes vendidas ilegalmente podem trazer doenças e perda de produção

 

A pirataria de sementes tem se tornado uma prática freqüente no meio rural, de acordo com Álvaro Peixoto, Diretor Executivo de Sementes da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem). Segundo ele, a associação tem notado, nos últimos anos, um aumento no número de casos de associados que tiveram suas marcas pirateadas no campo. Inclusive, dois deles, envolvendo grandes empresas do País.

 

Peixoto alerta que as sementes falsificadas ou reaproveitas de colheitas anteriores não contam com um controle de qualidade genético e físico (germinação e pureza) e não são tratadas, podendo ser agentes difusores de doenças. “Para o agricultor, as perdas podem ser muito grandes, principalmente, se estiverem infectadas com algum patógeno; assim, haverá baixa produtividade, perdas comerciais por falta de padrão de frutos, além do risco de ter a área contaminada com pragas”, garante ele.

 

De origem e cultivar desconhecidas, as sementes falsificadas procuram imitar alguma variedade ou híbrido comercial de empresas idôneas, sendo comercializadas ilegalmente, inclusive, com embalagens falsificadas, imitando as originais. “Estas sementes são vendidas como híbridos de última geração no mercado negro. Um negócio ilegal, impulsionado por comerciantes revendedores de insumos sem ética, que visam aumentar seus lucros com a compra de sementes falsas por um valor mais baixo. Sem pensar nos prejuízos que o agricultor, seu cliente, terá, e muito menos na imagem das empresas fornecedoras de sementes, que acabam tendo seus nomes associados a produtos de má qualidade”, explica Peixoto. Por isso, é preciso ficar bastante alerta na hora de adquirir as sementes, segundo ele, procurando revendas idôneas, representantes diretos das empresas de sementes, tendo assim, certeza sobre a origem dos produtos.

 

Outra forma de pirataria é a venda ilegal de sementes salvas, feita pelo próprio produtor. “Há sempre aquele que acaba vendendo parte de sua produção de sementes, não fiscalizadas e sem controle de qualidade, para o vizinho e outros agricultores por um preço abaixo de mercado. Esta prática também é considerada pirataria. Ao contrário daqueles que salvam suas sementes para uso em sua própria lavoura, algo aceito e regulamentado por lei”, comenta Peixoto. Estima-se, atualmente, que 20% da área plantada de pimentão no Brasil é de F2, ou seja, de sementes “salvas” de lavouras comerciais. “É um número muito expressivo”, ressalta o diretor. “Isto significa 20% de perdas em faturamento de sementes de pimentão para o setor de hortaliças, formado por empresas e comerciantes que recolhem impostos e geram empregos”, complementa ele.

 

As empresas de sementes de hortaliças têm buscado se defender, apurando estes casos por meio da Abcsem, que encaminha as denúncias de pirataria ao Ministério da Agricultura, tomando as providências cabíveis por lei. Além disso, a associação tem feito uma grande campanha de conscientização contra o uso de sementes “piratas” e F2, com foco, principalmente, em culturas como pimentão e melancia, que são as mais visadas. “O nosso intuito é alertar o produtor de hortaliças sobre os riscos do uso destes materiais. Ele acaba atraído pelo preço baixo das sementes oferecidas e depois só colhe prejuízos. Para evitar isto, temos feito palestras aos agricultores, por meio de nossos associados, buscando elucidar o assunto. Chegamos, até mesmo, a calcular as perdas financeiras com o uso de sementes piratas, explica ele. Em caso de dúvidas sobre a origem das sementes que se está comprando, é fundamental que o produtor entre em contato com o estabelecimento ou pessoa responsável pela venda das sementes, informando também, a empresa detentora da marca sobre o caso.


Serviço: Para mais informações, basta entrar em contato com a Abcsem. O telefone da associação é o (19) 3243-6472 e o e-mail é abcsem@abcsem.com.br. Acesse também o site: www.abcsem.com.br


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