Melhorar as espécies para aguentar o aquecimento global é um dos campos em destaque
Por Maíra Silva
Em um país onde a agricultura representa cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto), a área de ciências agrárias cultiva novos campos de pesquisa.
Além dos 315 programas de pós existentes, esse setor ganha cerca de 25 novos por ano, segundo a Capes. “Cresce muito, inclusive em subsídio e incentivo à pesquisa”, confirma Dagoberto Martins, coordenador-adjunto de ciências agrárias 1 na Capes e professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu.
“De 2004 a 2006, 14.862 artigos foram publicados em periódicos científicos qualificados”, completa Martins. De olho no aquecimento global e no aumento dos níveis de gás carbônico no ar, o melhorista clássico ganha destaque.
Sua função é criar plantas mais resistentes, bonitas e saborosas. Para isso, usa as mais fortes de uma espécie e recombina seus genes, explica o melhorista clássico Aniello Antonio Cutolo Filho, coordenador de melhoramento da Sakata Seed Sudamerica.
“Melhoramos a geração para que sobreviva com qualidade superior.” “Essa é uma das profissões cujo mercado precisa de novos profissionais, pois há uma geração se aposentando. É preciso adequar os alimentos ao clima e fazer isso com alta produtividade”, analisa Martins.
Para ele, o melhorista clássico tem emprego estável, porque detém o segredo -o mapa genético- dos melhoramentos das espécies desenvolvidas.
Outros pólos
A subárea de medicina veterinária é outro bom polo de pesquisas, avalia o professor Rodrigo Mattos, coordenador dessa área na Capes e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “As áreas de produção, reprodução e sanidade animal, junto com a de plantas tóxicas, têm excelência no Brasil”, diz.
Já na de zootecnia e recursos pesqueiros, o crescimento do número de programas é de 10% ao ano, calcula o professor Paulo Sávio, coordenador da área na Capes e professor da Universidade Federal de Viçosa.
“Os programas mais atrativos são os mais conceituados, em que há grupos de pesquisa consolidados. Eles têm melhor infraestrutura e recursos para pesquisas de qualidade.”
Fonte: Folha de S. Paulo