
Durante o 10º Congresso da Associação de Sementes das Américas (SAA), realizado entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2025, em Foz do Iguaçu (PR), a horticultura brasileira ganhou espaço no debate internacional por meio de uma entrevista concedida à Seed World LATAM, pela Secretária-Executiva da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM) Mariana Barreto. A conversa trouxe à tona os desafios e as oportunidades do segmento de sementes e mudas de hortaliças, flores e plantas ornamentais no Brasil, setor que vem ampliando sua relevância no comércio global.
Na entrevista, foram apresentados dados que evidenciam a importância econômica do segmento, que movimenta cerca de 330 milhões de dólares por ano no mercado nacional. Embora represente volumes menores quando comparado a grandes culturas, como soja e milho, o setor se destaca pelo elevado valor agregado das sementes. Um exemplo citado foi o das sementes híbridas de tomate, cujo valor por quilo pode ser dezenas de vezes superior ao de outras culturas tradicionais, refletindo o alto investimento do setor em tecnologia, pesquisa e melhoramento genético.
Outro ponto central da entrevista foi a complexidade regulatória que envolve o comércio internacional de sementes e mudas. O setor lida com aproximadamente 800 espécies diferentes, cada uma com exigências fitossanitárias específicas, variáveis conforme a origem e o destino do material. Essa diversidade impõe desafios constantes para a construção de normas que consigam contemplar realidades tão distintas, tornando o diálogo com autoridades regulatórias e a participação em fóruns internacionais fatores estratégicos para o desenvolvimento da atividade.
Também foi abordada a relevância da mão de obra no segmento, tendo em vista que a produção de sementes e mudas, especialmente de hortaliças e ornamentais, ainda demanda muito trabalho manual, o que amplia a geração de empregos, mas, ao mesmo tempo, impõe desafios relacionados à qualificação profissional e à disponibilidade de trabalhadores.
No campo do comércio exterior, a entrevista destacou que o Brasil ainda é majoritariamente importador de sementes, mas que vem avançando de forma consistente no desenvolvimento de genética nacional. Esse movimento abre caminho para a ampliação das exportações, com destaque para mercados da África e da Ásia, que demonstram crescente interesse pela produção brasileira.
Em 2026, a expectativa é de que o setor continue ganhando amplitude e reconhecimento internacional, consolidando o Brasil como um player cada vez mais relevante no mercado mundial de sementes e mudas.
Confira o vídeo da entrevista completa no link:
www.seedworld.com/latam/2025/12/01/la-importancia-de-las-semillas-de-hortalizas-en-brasil
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